quarta-feira, 31 de maio de 2017

Robinson Crusoé

Os livros estão Loucos


A nova coleção da editora Guerra e Paz, Os Livros Estão Loucos, parece ser, no mínimo, inovadora. Estas obras são adaptações de clássicos contados "tipo aos jovens".

Todo o lema da coleção é cativante: "Para se ler numa hora o que antes se lia num dia". São histórias simplificadas, de modo a tornar a sua leitura mais leviana e agradável. 

Antes de mais, quero agradecer a Guerra e Paz pelo gentil envio de Robinson Crusoé, Daniel Dafoe, para crítica aqui no blogue. Confesso que estou deveras interessada nos livros desta coleção, principalmente, pela sua beleza.

Bem, de volta ao livro em questão, Robinson Crusoé trata da história de um marinheiro com esse mesmo nome que, após uma tempestade, naufraga numa ilha deserta. 

Robinson pensa está sozinho, mas, ao resgatar bens dos destroços do seu navio, encontra um cão e dois gatos que sobreviveram. Estes tornam-se a sua única companhia na solidão da ilha. Talvez não a única, consegue também resgatar uma bíblia encontra em Deus um companheiro. 

O naufrago consegue superar as expectativas: aproveita os recursos da ilha e cria engenhocas fantásticas para sobreviver. Um simplesmente marinheiro inglês torna-se pastor, agricultor, oleiro, caçador. Enfim, torna-se o rei daquela ilha. 

Anos e anos passou apenas da companhia dos seus animais, como gatos que nasceram lá na ilha, filhos do casal que ele salvou. Tenta, ainda, ensinar um papagaio a falar. Assim, teria alguém com quem conversar. 

Até que um dia encontrou uma pegada na praia. 

Percebeu que tinha de proteger o seu reino, porque que poderia não estar sozinho, ou estaria? Crusoé passou tanto tempo envolto numa solidão tremenda que já sabia nem no que acreditar… 

Primeiramente, penso que devo realçar que esta não é apenas história de Robinson Crusoé. Aconpanhamos, ao mesmo tempo, dois irmãos. Bia e Pedro, que leem a narrativa do naufrago comentando e imaginando o final desta aventura à medida que avançamos. 

Robinson Crusoé surpreende pela sua vontade viver. É incrível como um comum marinheiro inglês consegue tornar-se tão versátil ao ponto de se viver décadas numa ilha deserta.

Sem dúvida, o ponto mais positivo nesta obra é a originalidade. O livro é lindo, cheio de cor e movimento.

Tal como diz o título de coleção: "Os Livros estão Loucos". As páginas estão repletas de imagens alusivas à história, letras gigantes, espirais de palavras… Todos os capítulos começam com um excerto do próprio, deixando-nos com uma vontade continuar a ler para perceber de onde veio esse trecho.

Em Suma, esta obra traz uma dimensão nova aos contos antigos. Desperta a atenção pela capa, pelo folhear das páginas, pelos sentidos. Trata-se de uma leitura que apela não só à escrita, mas também também à beleza do circundante.

Nunca tinha lido Robinson Crusoé, mas não posso dizer que tenha ficado desiludida. A narrativa é interessante e muito fácil de ler, com um estilo coloquial, aproximando-se do diálogo. Existe mesmo diálogo por parte de Bia e Pedro, que vão dando as suas opiniões e brincando um com o outro como é típico dos irmãos.

Assim, espero ter a oportunidade de por as mãos nos outros livros desta coleção e ficar surpreendida pela beleza presente nas suas páginas.

Citação do Dia - 31/05/17

"Creio muito na sorte. Quanto mais trabalho, mais sorte pareço ter."


Ralph Emerson

terça-feira, 30 de maio de 2017

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Viver Sem Ti

Nem sempre dá para esquecer...


Quando um livro é realmente muito bom, um segundo pode ser ainda melhor ou pode "arruinar" a história para os leitores. 

Viver Sem Ti, de Jojo Moyes, é a sequela de Viver Depois de Ti. Este primeiro volume, na minha opinião, foi simplesmente sensacional. Tem uma história cativante que foge ao cliché que por vezes se encontra em romances.


Mostro-vos as duas capas porque, apesar da da direita ser a versão comercializada em Portugal, que podem encontrar nas livrarias, a da esquerda é o meu exemplar. Encontra-se em Inglês, já que o comprei na Awesomebooks.

Se ainda não conhecem, querem saber mais, ou apenas relembrar alguns pormenores, podem ler a minha opinião de Viver Depois de Ti aqui.

Em Viver Sem Ti encontramos Louisa, uma jovem que perdeu o amor da sua vida, mas que (supostamente) teria encontrado o seu caminho na vida, bem como a vontade de viver. Era isso que estávamos induzidos a pensar tendo em conta o final do primeiro livro, no entanto, não foi isso com que me deparei.

Louisa trabalha num bar de aeroporto, um emprego banal em que era obrigada a usar um uniforme sexista. Esta rapariga não é a Louisa de outrora. Está desanimada, sem rumo... Vive num apartamento em Londres comprado com o dinheiro que Will lhe deixou, mas não se sente em casa, falta algo.

Um acidente tudo muda: Louisa cai do telhado do seu prédio. Todos pensam que se tentou suicidar. Na realidade, ouviu uma voz e desequilibrou-se, caindo. Na ambulância, um paramédico ajuda-a a agarrar-se à vida, mostrando uma simpatia que há muito a rapariga desejava sentir.

Regressa a casa dos pais para recuperar e percebe algo. Está de volta ao ponto de partida, não conquistou nada do que prometeu a Will. Os seus pais apercebem-se disso e fazem-na prometer que irá frequentar um grupo chamado "Seguir Em Frente" quando regressar a Londres.

Lá, depara-se com histórias semelhantes à dela e, ao mesmo tempo muito diferentes. Todos tinham algo em comum: perderam alguém de quem gostavam.

A sua vida dá uma volta ainda maior quando alguém do passado de Will lhe bate à porta. Terá Louisa força para suportar o peso de outra pessoa na sua vida. Terá vontade de arriscar, de novo, no amor? Terá vontade de viver?

Enfim, não vos posso dizer o quão desiludida fiquei com este livro. Não que seja mau, não é, mas simplesmente não deveria existir...

Gostei imenso do primeiro volume e teria ficado feliz se acabasse por aí. Esperava que Viver sem Ti fosse ainda melhor, ou, ao menos, mantivesse a qualidade. Também tenho noção da dificuldade que deve ser manter ou elevar a qualidade após um primeiro volume tão bom, por isso mesmo é que penso que deveria ter ficado por aí.

Achei a história um pouco cliché, podem não entender o que digo, mas quando descobrirem quem é a personagem misteriosa do passado de Will, perceberão. É um tema extremamente comum, enfim, todas as novelas, por exemplo, têm uma dessas personagens. 

Não achei o enredo nada de especial, apenas uma sucessão de acontecimentos um pouco irrealistas intercalados com acontecimentos que poderiam acontecer a qualquer um de nós. Em suma, não achei que a história se agregasse enquanto um todo.

Penso que o que menos gostei foi a mudança que vi em Louisa. Antigamente, cheia de vida, apesar de não ter vivido muito fora da sua zona de conforto, vestia-se de maneira irreverente, alegre, sem pensar no que os outros pensavam. Agora, está embrenhada numa nuvem cinzenta que parece não desaparecer. Substituiu a sua roupa alegre por calças de ganga e t-shirts aborrecidas, perdendo, na minha opinião, muito do que a fazia quem ela era.

Apesar de tudo, a personagem que mais me chamou a atenção foi Sam, o Sam da Ambulância(como lhe chamavam), o paramédico que ajudou Louisa a agarrar-se à vida depois de uma queda inacreditável. Este mostra que, apesar da sua aparência forte, consegue ser uma pessoa boa, fiel, engraçada e, acima de tudo, consegue tratar de Louisa quando ela precisa, quer seja com palavras amáveis, quer seja com um "balde de água fria".

Não digo que a leitura do livro não tenha sido agradável, foi, apesar de , por vezes, um pouco aborrecida. Se me distanciar de Viver Depois De Ti e pensar em Louisa apenas como uma rapariga perdida na vida cujo namorado de suicidou, o livro até é bastante interessante, mas não o consigo fazer. Louisa, para mim, é e sempre será a namorada de Will Traynor.




Citação do Dia - 29/05/17

"A sorte combate sempre do lado do prudente."


Eurípedes

sábado, 27 de maio de 2017

"Um País para lá do Azul do Céu" - Um Tiro no Escuro!

Verdades intemporais...


Susanna Tamaro é uma escritora de origem italiana, autora de diversas obras, entre elas a "vítima" de hoje da rubrica Um Tiro no Escuro!: Um País para lá do Azul do Céu.

A primeira edição deste livro, em Portugal, remonta a 2003. Já passaram catorze anos e, mesmo assim, ainda contém muita verdade. É quase intemporal, infelizmente.


Esta obra inclui quatro pequenas narrativas ligadas à emigração ilegal, xenofobia, descriminação e, acima de tudo, sofrimento daqueles que são tomados como os mais fracos. Essas narrativas chamam-se E eu ralado!..., O que diz o vento?, Salvacion e Do Céu, aparecendo no livro por esta ordem.

E eu ralado!... conta a história de Rossella, uma jovem de dezanove anos que "estudara numa missão religiosa" numa das ilhas de Cabo Verde. Encontramos esta rapariga em Itália, a trabalhar para o professor Baraldi, um homem de oitenta anos afetado pela idade. Este ainda fala com a sua antiga criada, apesar de esta já ter falecido. Rossella, crente como era, acredita que a casa está assobrada pelo espírito de Arnilda. A jovem tem de superar o caráter difícil do seu patrão, que não a considerava sequer um ser humano, bem como o seu medo de viver na mesma casa que Arnilda. 

O que diz o vento? é, se calhar, o mais atual das narrativas deste livro. Retrata a jornada de uma mãe viúva e do seu filho, que fogem do seu país. Usaram todo o seu dinheiro para chegar a Itália, passando por condições miseráveis e, apesar de sabermos que o amor de mãe é incondicional, será Nabila capaz de cuidar de Raj, o seu menino, longe de casa e sem o seu marido para os proteger?

Na terceira narrativa encontramos Salvacion, uma jovem de Jordan Ilo Ilo, que trabalhava como criada em casa de "doutores". A patroa, apesar de austera era simpática, no entanto, o seu marido não respeitava Salvacion, tornando-se o assédio uma situação frequente. Tentando encontrar conforto em deus, a jovem frequenta uma igreja local, no entanto, sentia-se presa, sem salvação.

Do Céu fala das dificuldades de um casal ao adotar Arik, um menino de África. O rapaz apenas queria voltar para o lugar onde cresceu, fazia tudo o que podia, no entanto, a inocência de ser criança não o deixa perceber que nunca poderá voltar. Os seus pais não o respeitam, objetificam-no e tratam-no como um animal.

Em primeiro lugar, não gostei muito do facto de o livro estar divido em várias narrativas. Pode ser uma questão pessoal, mas não considerei que as histórias estivessem bem aprofundadas. Talvez a intenção da autora fosse realçar apenas o momento principal da ação, mas sinto que falta contexto.

A primeira história foi a mais leviana, penso eu. Apesar de abordar temas com a xenofobia, Rossella é das personagens deste livro que menos sofre. É vítima das circunstâncias e da ignorância.

O que diz o vento?, como já referi, é a mais atual das histórias. Não que as outras não sejam atuais, mas este tipo de situações tem mais destaque hoje em dia. Num mundo cheio de frieza e crueldade, assistimos ao amor incondicional de uma mãe que faz tudo pelo filho, assombrada pela dúvida e o arrependimento. Ao contrário das outras narrativas, nesta havia contextualização, talvez por reconhecermos tanta verdade nas palavras...

Em Salvacion é abordado um tema também atual, mas intemporal. Apesar de, neste caso, se tratar de uma jovem migrante, o assédio que Salvacion sofreu ocorre, certamente, com muitas jovens. É um abrir de olhos para o que, por vezes, está à nossa frente e não conseguimos ver, aquele sinal, um pedido de ajuda...

Do Céu foi a narrativa desta obra que mais me revoltou. Apesar de a ação ser muito rebuscada, sinto que, num mundo de ignorância e crueldade poderia ocorrer. A "mãe" de Arik chega ao ponto de o amarrar ao lado de um cão para ele ficar na rua enquanto ela faz as compras. Afinal, em que mundo vivemos?

Relativamente à linguagem, o livro lê-se muito bem. A escrita é fluida, cuidada e, ao mesmo tempo simples. Temos os pontos de vista das várias personagens em cada narrativa, o que nos faz compreender melhor as suas ações.

No entanto, não foi um livro que tenha apreciado, talvez pela dureza do que lá é retratado. Não sei, não é um daqueles livros que, apesar de tristes e reais, me comovam. É mais revoltante que comovente, mas talvez seja essa a intenção da autora, abrir-nos os olhos para o mundo em que vivemos e tentar mudá-lo, torná-lo no sítio melhor.

Citação do Dia - 27/05/17

"Foi o tempo que perdi com a minha rosa que a fez tão importante."

Antoine de Saint-Exupéry

quinta-feira, 25 de maio de 2017

The Vampire Diaries - The Fury

Uma Grande revelação...


The fury, o terceiro volume da saga The Vampire Diaries, de L. J. Smith, vem dar continuação aos dois primeiros livros: The Awakening e The Struggle, que já li e avaliei aqui no blogue.


Se não conhecem a coleção, podem ler as minhas opiniões em:


Elena morreu. Acordou. Tornou-se vampira. Agora compreendia o que Stefan sentia, o porquê de se retrair tanto. Agora eram iguais. 

No entanto, uma antiga escolha tem de ser feita de novo: Elena terá de escolher entre ficar com Stefan, que ama incondicionalmente pela sua bondade, ou Damon, que ama pela sua faceta gentil oculta. A jovem, mesmo não sabendo, ama os dois rapazes e, por isso mesmo, tem de libertar um deles.

Isso teria de esperar. Havia um mal à solta. A mesma identidade que matou Elena, o professor de história e que causou vários ataques em Fell's Church vagueava pela cidade aterrorizando todos os habitantes. 

A rapariga, os dois irmãos e os amigos mais chegados de Elena fazem a mais improvável aliança com a pessoa que menos esperamos. Tudo para derrotar esse mal que trouxe tanta desgraça à cidade. Uma mal que desconheciam, apenas sentiam.

Mais uma vez, este livro começou exatamente onde o último terminou. Parece o "MO" (Modus Operandi) de L. J. Smith. Até agora não tinha ficado muito fã desta abordagem, não me fez grande confusão já que o meu primeiro livro desta coleção continha os dois primeiros volumes.

Mas, agora, que tive de esperar para comprar o segundo livro, que contém o terceiro volume, vi-me obrigada a ler o último capítulo do volume anterior, uma vez que não me lembrava em que cenário tínhamos deixado as personagens. Esta é uma das poucas críticas negativas que tenho a esta coleção.

L. J. Smith voltou a surpreender com um enredo aliciante, que, sem dúvida, fez de The Fury o livro que mais me cativou na parte da  coleção que já li. Deixa um suspense no ar, que nunca desaparece, mesmo quando o grande mal é revelado, pois há sempre mais questões por responder, mas dúvidas...

Não são apenas as personagens principais que enfrentam escolhas monumentais. Também Bonnie, Matt e Meredith, os fieis amigos de Elena, são confrontados com situações do género, provando sempre a sua amizade para com Elena, mesmo que, por vezes, esta não o visse dessa maneira.

Neste livro, a personagem que mais me surpreendeu foi Damon. Este vampiro, anteriormente rotulado como cruel e totalmente desumano, mostra que, afinal, é mais humano e gentil do que parece. Um simples "Go to hell" ("Vai para o Inferno") mudou a sua personagem para sempre. Pode não fazer muito sentido, mas prometo que, se lerem o livro, entenderão.


Com um final absolutamente inesperado, fiquei fã desta série literária. Já tenho quase todos os livros e estou ansiosa por lê-los! 

Citação do Dia - 25/05/17

"A música é o tipo de arte mais perfeito: nunca revela o seu segredo."


Oscar Wilde

terça-feira, 23 de maio de 2017

Um

Uma nova vida...


Tânia Gama, a autora de Um e da sua continuação, recentemente publicada, Dois, nasceu em 1996, tendo apenas 21 anos. É de louvar que alguém tão novo já tenha dois livros publicados em Portugal, não é algo que se veja todos os dias.

Gostaria de agradecer à Chiado Editora por me terem cedido um exemplar de Um, de Tânia Gama, de forma tão gentil. 



Em Um encontramos uma história aparentemente parecida a muitas outras e, ao mesmo tempo, irreverente e nunca antes vista. Talvez comece com algo que já estamos habituados a ver, mas o desenrolar dos acontecimentos surpreende pela dimensão inesperada que toma ao longo do livro.

Aphrodite era uma rapariga comum. Bem, comum talvez não seja a forma certa de a descrever. Tinha memória fotográfica e era muito inteligente, ao contrário do seu irmão gémeo, Apollo. 

Um dia, ao sair de casa é confrontada com uma figura desconhecida, um homem tatuado que afirma esperar mais de alguém tão importante. A jovem não percebe o que é que ele quer dizer com tais palavras, pelo menos, não naquele momento.

Ao acordar, é-lhe dito que é uma renascida, um vampiro recém-criado. É Gabriel quem lhe dá a notícia. Este rapaz está encarregue de a treinar na sua adaptação ao mundo dos vampiros.

Tendo uma aprendizagem extremamente rápida, Aphrodite percebe que o ataque que sofreu não era suposto transformá-la, mas sim matá-la. Isto, devido a um segredo escondido algures no seu passado.

Agora, esta rapariga vê-se dividida entre o seu novo mundo, a que sente pertencer, e a sua família, o mundo onde sempre se sentiu deslocada.

Devo frisar que gostei imenso do título desta obra, é incrível como algo tão simples pode chamar tanto a atenção. Talvez por isso mesmo, por ser muito simples, nos deixe a pensar sobre o que poderá estar escondido atrás da simplicidade.

A história não me convenceu nas primeiras páginas, pensei mesmo que se tratava de um cliché dos mais comuns que se pode encontrar, no entanto, houve uma reviravolta enorme, a ação tomou um rumo nunca antes visto, deixando-me com imensa vontade de ler o próximo volume.

Achei que as personagens precisavam de ser melhor trabalhadas. Apenas temos acesso ao pensamento de Aphrodite, a personagem principal, no entanto, a sua personalidade não foi tão aprofundada quanto eu esperava. 

Quanto ao diálogo, este é abundante, dando um caráter leve à obra. Penso que, mais uma vez, poderia ser melhor trabalhado. Faltam aquelas informações acerca da postura das personagens, os tons de voz... Aqueles sinais que transformam uma ideia numa personagem viva e animada de sentimentos.

Por vezes, essas mesmas personagens, pela falta de expressão, tornam-se um pouco plásticas, inanimadas... Como se as personagens estivessem constantemente a falar ao telemóvel com o leitor, de maneira que ele tenha apenas acesso às suas falas e não à forma como se expressam e como se sentem.

O pior aspeto neste livro é, sem dúvida, a falta de revisão. Encontramos erros de toda a espécie, desde ortográficos a sintáticos. O tipo de escrita não me agradou, sendo apenas compensado pelo conteúdo da história. Inúmeras repetições de palavras na mesma frase tornavam, por vezes, a sua leitura difícil. 

Isto é, realmente, algo que me incomodou imenso ao ler o livro, não se tratavam apenas de gralhas, pois essas acontecem a todos, mesmos aos melhores, tratavam-se de erros graves, na minha opinião. Acontecia que, na mesma página, uma palavra aparecia escrita de duas formas. Parece algo derivado de falta de cuidado ou atenção e não necessariamente de incorreção linguistica, o que é uma pena, uma vez que a revisão de alguns aspetos causaria um incremento enorme na qualidade da obra.

Assim, espero que o segundo volume esteja um pouco melhor nessa vertente, já que a história promete surpreender pela positiva!

Citação do Dia - 23/05/17

"O trabalho só assusta as almas fracas."


Luís XIV

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Citação do Dia - 22/05/17

"Ama o próximo como a ti mesmo. É um grande risco. Eu, por exemplo, detesto-me."


Vergílio Ferreira

domingo, 21 de maio de 2017

Os Diários Secretos

Uma dimensão completamente diferente...



Os Diários Secretos é o quinto livro da coleção “Fjällbacka series”, de Camilla Läckberg. Tal como os volumes anteriores, trata-se de um romance policial.




Se ainda não conhecem esta série, poderão ler as minhas opiniões dos livros anteriores em:


Após Erica Falk encontrar, nas coisas de Elsy, a sua falecida mãe, objetos que remontam à Segunda Guerra Mundial, incluindo uma medalha nazi, uma camisola de criança ensanguentada e diários dessa época, esta deseja descobrir mais acerca da sua mãe. Principalmente, Erica pretendia conhecer as razões que tornaram Elsy numa pessoa fria e desprovida de afeto.

Ao mesmo tempo, acompanhamos a investigação do homicídio de Erik, um homem idoso com um fascínio terrível pelos acontecimentos da Segunda Guerra Mundial. Este homem era irmão de um herói, Axel, que esteve preso por lutar contra o Nazismo.

Patrick Hedström, marido de Erica e polícia na esquadra de Tanunshede, está em licença de paternidade, no entanto, não consegue dar conta do recado e não resiste em ajudar na investigação.

Parecem muitas coincidências: os diários da mãe de Erica, o fascínio de Erik pelo Nazismo, um movimento extremista mesmo no centro de Fjällbacka... Serão capazes de ligar todas as peças e descobrir, não só o homicida, mas também desvendar o passado de Elsy e desenterrar segredos bem guardados?

Este livro é bem diferente dos outros da mesma série. Quer no que toca ao desenrolar da ação, mas também ao tipo de escrita. Foca-se mais na vida das personagens e no seu passado.

Algo que apreciei neste volume foi o facto de aquele traço típico que a autora tem de nos dar a entender que as personagens desvendaram um segredo sem percebermos qual não é tão acentuado. Claro que acontece, mas é uma questão de linhas ou poucas páginas para compreendermos a descoberta.

Adorei a forma como Bertil Mellberg, o preguiçoso superintendente da esquadra de Tanumshede, foi trabalhado nesta obra. Deixamos de ver a sua face carrancuda e rude e passamos a observar um ser humano capaz de empatia, compreensão, amor e amizade. Esta faceta foi revelada com a ajuda de Annika, a secretária da esquadra, que lhe arranjou um cão. Contra todas as espetativas Mellberg acolheu o animal.

Acho surpreendente a quantidade de personagens e histórias que Camilla Läckberg consegue interligar. Penso que se compara a um daqueles quadros, que aparecem nas séries e filmes, onde se ligam pistas por fios, geralmente vermelhos. Consigo imaginar um quadro repleto de fotografias de jovens e das suas respetivas caras idosas, de pessoas que morreram, de provas encontradas, etc...

Este é, sem dúvida, o meu livro preferido da coleção. Talvez porque a autora nos foi preparando para as revelações que lá se encontram. Ao longo dos primeiros volumes são-nos apresentadas as personagens e vamos tendo vislumbres breves dos seus passados. Deixou-me sempre desejosa de saber mais acerca de Erica e da sua família, desde o passado da sua mãe até à vida de Anna, a sua irmã, que passou por momentos difíceis.

Já tenho o volume seguinte, A sombra da Sereia, mas penso que vou esperar um pouco para o ler e assimilar as ideias. Tanta coisa foi revelada...

Citação do Dia - 21/05/17

"Fala se tens palavras mais fortes do que o silêncio."


Eurípedes

sábado, 20 de maio de 2017

Citação do Dia - 20/05/17

"O único valor que considero revolucionário é a bondade, que é o único que conta."


José Saramago

sexta-feira, 19 de maio de 2017

A Filha Estrangeira

Dá que pensar... 


A Filha Estrangeira, um livro de Najat El Hachmi, foi-me gentilmente cedido para opinião pela Bertrand Editora e, por isso, agradeço o gesto e a oportunidade de ler esta obra e dar o meu parecer. 

Penso que, conhecendo a autora e as suas origens, poderemos entender melhor de que trata o livro. Najat El Hachmi mudou-se, aos oito anos, com a família para a Catalunha, sendo oriunda de Marrocos. Estudou literatura na Universidade de Barcelona e, atualmente, tem títulos publicados e traduzidos em várias línguas. 



Em A Filha Estrangeira acompanhamos o percurso de vida de uma jovem marroquina que, desde cedo, viveu na Catalunha, longe do seu país de origem. A sua única família nesse lugar era a sua mãe, uma mulher tipicamente marroquina, que, apesar da distância, seguia as tradições à risca. 

Esta rapariga quase que se considerava estrangeira. Como é óbvio, é estrangeira na Catalunha, mas também se sentia assim relativamente ao país que a viu nascer, ao país da sua mãe. Isto, em parte, porque os pensamentos já quase não lhe apareciam na "língua da sua mãe", que era como ela se referia ao seu dialeto de origem. Pensava que estava a trair a sua mãe ao pensar dessa forma, ao distanciar-se, assim, de uma língua que lhe dizia tanto. 

Apesar de tudo, sentia-se sortuda e, de certa forma, livre, uma vez que pôde escolher o seu noivo. Não iria casar por amor, mas regressaria ao país, que agora era apenas o de sua mãe, para casar com o seu primo Driss. A sua família deu-lhe a opção de aceitar, ou não a mão desse seu primo em casamento. Ela, pensando que mais valia casar com alguém que conhecia desde sempre ao invés de um desconhecido, aceitou. 

Agora, a jovem e a sua mãe veem-se numa azáfama terrível: vão continuar emigradas, é Driss quem se mudará. Por essa razão, teriam de preparar o casamento, todos os documentos necessários, arranjar uma casa onde coubessem todos e, acima de tudo, trabalhar para poderem sustentar esse "primo-marido". 

Este livro revelou uma autenticidade fora do comum. Toda a obra se desenrola numa introspeção dessa rapariga. Nunca conhecemos o seu nome, o que me fascina ainda mais. 

A autora foi capaz de criar uma personagem tão genuína, tão real que nem precisa de nome. Fiquei, assim, com a sensação que esta rapariga podia ser qualquer uma. Poderia não existir, mas poderia, também, ser um espelho de milhares de raparigas em todo o mundo. Penso que a última hipótese assenta melhor. 

Ela não é ninguém, não tem nome, e, mesmo assim, a história cativa com a profundidade dos seus sentimentos. Não temos a visão de mais ninguém, vimos o mundo apenas pelos seus olhos. Chocam a maneira como pensa e a maneira como deveria pensar, a sua alegada liberdade em relação à verdadeira liberdade que os "não estrangeiros" usufruem. Este é um livro que denuncia a desigualdade aos olhos de quem a sofre e percebe que a sofre. 

A jovem não é ingénua. Sabe muito bem que poderia fugir e viver uma vida verdadeiramente feliz. Aliás, tenta fazê-lo, mas, pensando na sua mãe, deixa esse sonho para trás e regressa a casa e ao futuro que lhe está destinado. 

Nesta leitura convivemos com o amor incondicional de uma filha pela mãe. Esta rapariga sofre, abdica da sua vida para poder fazer a mãe feliz. A mãe que lhe deu a vida, a mãe que emigrou e lhe permitiu receber uma educação. A mãe analfabeta e triste... 

Revoltou-me a forma como a personagem é tão altruísta ao ponto de desistir de tudo o que a poderia fazer feliz para satisfazer os desejos da sua mãe. Uma mãe que, apesar de lhe ter dado muito, pediu ainda mais em troca. A rapariga desfez-se da única coisa que lhe era importante: a sua individualidade, a sua dignidade. 

Com uma linguagem simples, este livro é de leitura agradável, apesar de lenta. As páginas levam tempo a ler devido à pormenorização do ambiente e dos sentimentos da personagem: conseguimos visionar o seu mundo, dar cara a todas as personagens, imaginar cada local. Assim, é um livro cheio de imagem e cor, uma obra bonita e triste, repleta de dor e sofrimento e, também, coragem e cobardia. 

Sem dúvida, uma obra que marca pela sua autenticidade e pela verdade marcada nas suas páginas. Um livro para qualquer um que goste de histórias com valor. Uma reflexão intensa sobre os direitos que, supostamente, são de todos nós e que, mesmo assim, nem todos os recebem.

Citação do Dia - 19/05/17

"Se não quiseres ver tolos, deves primeiro quebrar o teu espelho."


François Rabelais

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Resultado - Passatempo "Amor às Claras"

Parabéns!


Muito obrigada a todos os que participaram no passatempo. Aos que não ganharam peço que não desanimem pois, em breve, mais sorteios virão, basta ficarem atentos!

Neste passatempo estava em causa um exemplar do livro Amor Às Claras, de Laura Kaye. Podem ler a minha opinião acerca deste livro aqui.




O vencedor foi escolhido através da plataforma virtual Random.org e lá foram inseridos os participantes que cumpriram todas as regras do passatempo. 

Sem mais demoras... O vencedor, ou neste caso, a vencedora é Maria (...) Costa. Muitos Parabéns, deverá receber um e-mail nos próximos dias para confirmação da morada de envio.

Como disse, dentro de pouco tempo, mais surpresas virão!

Citação do Dia - 18/05/17

"É preferível não ter amigos do que os ter mais nocivos que inimigos."

William Shakespeare

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Amor às Claras

A partir de hoje nas livrarias!


Caros leitores, aqui está a tão esperada continuação de Corações na Escuridão de Laura Kaye: Amor às Claras.

Não se esqueçam que, até ao fim do dia de hoje estão a tempo de participar no passatempo aqui no blogue e habilitar-se a ganhar um exemplar deste novo romance de Laura Kaye!

-----> Passatempo <-----



Em Corações na Escuridão deixámos Caden Grayson e Makenna James nos braços um do outro após quatro horas fechados num elevador escuro.

Agora, em Amor às Claras, reencontramos estas personagens num namoro de dois meses. Parece pouco tempo mas, apesar de não o dizerem, estão absolutamente apaixonados. Podem não o verbalizar, mas as suas ações e os seus pensamentos demonstram essa enorme paixão.

Chegada a Ação de Graças, este casal viaja até à terra natal de Makenna para passarem o feriado com a sua família. Primeiramente, Caden pensava que ela ia sozinha, mas Makenna nem pensou duas vezes, o seu namorado iria acompanhá-la. Ele não tinha família e, por isso, ela queria integrá-lo na felicidade do ambiente onde cresceu.

Caden luta para ganhar a coragem necessária. Não é bom com relacionamentos, o seu aspeto duro, com piercings e tatuagens, costuma afastar as pessoas e ele não se importa que isso aconteça.

Já na casa onde Makenna cresceu, o casal depara-se com o seu ex-namorado e ex-noivo. Cameron era um homem atraente e inteligente. Caden não compreende como é que Makenna conseguira passar de um homem como aquele para um homem como ele próprio, magoado e danificado pelos azares da vida. Nesse momento começa a derradeira desconfiança na sua capacidade de a fazer feliz.

Apesar de quase toda a familia ter recebido bem o casal, Ian, o irmão do meio e o melhor amigo de Cameron, insiste para que este tente recuperar o amor da sua irmã. Cameron investe numa proposta a Makenna, deixando Caden com os nervos à flor da pele.

Amor às Claras prometia e cumpriu. Este livro não ficou aquém das minhas espetativas. Poderíamos pensar que, após o termino do encontro no elevador, a história deste casal se tornaria desinteressante, mas confesso que isso não aconteceu.

Com uma linguagem simples, clara e familiar, onde abunda o diálogo, Laura Kaye conseguiu cativar-me do inicio ao fim. Li o livro numa tarde e tenho pena de não ter aproveitado melhor.

Adorei o facto de, nesta obra, a autora se focar de igual forma na paixão de Caden e Makenna e na história que os rodeia. Deixamos de ter apenas aquela dimensão privada e passamos a ter acesso, a conhecer as suas interações com o mundo exterior: os amigos de Caden e a família de Makenna.

Gostei da forma como foi descrita a ocupação dos paramédicos: salvar vidas, são a primeira linha de ajuda num momento de aflição. Caden, quando confrontado com a questão de seguir um curso de medicina nega essa intenção, afirmando que está no lugar onde sempre desejou estar.

Este livro, entre outras dimensões, é uma história de cura, superação e procura de paz. Caden sempre foi assombrado pelo passado, será que o conseguirá superar?

Apesar do final desta obra, desejava que existisse uma continuação. Não posso revelar o porquê, mas se lerem o livro compreenderão.

Por fim, quero agradecer à editora O Castor de Papel/4 Estações por me terem cedido um exemplar desta obra para opinião.

Citação do Dia - 17/05/17

"O escritor tem uma incapacidade congénita para contar a verdade e é por isso que escreve ficção."


William Faulkner

Convite - O Castor de Papel


terça-feira, 16 de maio de 2017

Citação do Dia - 16/05/17

"O homem prudente aproveita a sua experiência; o homem sábio aproveita a experiência dos outros."


John Collins

segunda-feira, 15 de maio de 2017

The Secret Circle - The Captive Part I

Melhor que o primeiro...



The Captive Part 1, como o nome indica, é a primeira parte do segundo volume da coleção The Secret Circle. Se não conhecem o primeiro volume, The Initiation, podem ler a minha opinião aqui.


Em The Initiation deu-se a iniciação de Cassie enquanto parte do Circulo Secreto, um clã de bruxas muito antigo, que, agora, é constituido apenas por adolescentes. Este livro acabou com a descoberta de um talismã mágico e a libertação de um poder maligno, que o Circulo Secreto desconhecia.

Cassie vê-se no meio de uma guerra: Diana e Faye aspiram ao governo do Circulo Secreto. Faye tem poder sobre Cassie mas Diana tem a sua amizade e estima. Qual lado escolherá? Será capaz de trair a sua melhor amiga para a proteger?

Envolvida num drama colossal, esta rapariga tem de lutar no mundo cruel da adolescência, bem como no mundo oculto das sombras e magia. Cassie tem de descobrir quem tem morto adolescentes na cidade e, ao mesmo tempo, tentar parar o poder libertado pelo talismã.

Não vos posso dizer mais que isto, uma vez que, por ser apenas a primeira parte do livro, a história é curta e, se vos contar muito, perde a piada, não? Mas posso dar-vos a minha opinião.

Gostei muito mais deste volume do que do primeiro. Talvez por já não se tratar de uma apresentação de personagens, mas de um enredo completo e aliciante. A ação não é tão monótona como em The Initiation, é mais cativante, mais "mexida".

A personagem que mais me intrigou foi Nick, um dos membros do Circulo Secreto, que aparenta não ser possuidor de sentimentos mas, apesar de não ter nenhuma peripécia importante no livro, dá a entender ser mais do que pensamos. A autora não se foca nele, mas dá sinais de que poderá vir a ser importante na história.

Outro ponto positivo foi o facto de algumas personagens, outrora retratadas como duras e implacáveis, demonstrarem uma bondade para com Cassie que esta não esperava. 

Quanto à linguagem, mantenho a opinião de que é difícil distinguir pensamentos de diálogo, mas penso que com o hábito se vai tornando mais fácil fazê-lo.

Mais uma vez, o livro terminou sem qualquer conclusão. Neste caso entendo, uma vez que se trata de um livro dividido em duas partes. No entanto já percebi que L J Smith adotou esse método de escrita para cativar os leitores a continuarem a ler as suas obras.

Não é a minha coleção preferida desta autora, mas tenho esperança de gostar mais dos próximos volumes. Estou à espera de revelações acerca do passado que nos façam compreender o presente!

Citação do Dia - 15/05/17

"Existem mais pessoas que desistem do que pessoas que fracassam."


Henry Ford

domingo, 14 de maio de 2017

Citação do Dia - 14/05/17

"Sendo tão natural ao homem o desejo de ver, o apetite de ser visto é muito maior."


António Vieira

sábado, 13 de maio de 2017

Allegro Ma Non Troppo, seguido de As Leis Fundamentais da Estupidez Humana - Um Tiro no Escuro!

De volta ao desconhecido...

Em primeiro lugar, quero agradecer à editora Texto e Grafia pela gentileza de me cederem um exemplar de Allegro Ma Non Troppo, seguido de As Leis Fundamentais da Estupidez Humana, de Carlo M. Cipolla.

Tenho de confessar que este não é o género de literatura a que estou acostumada. Já li vários livros do mesmo género, mas principalmente com o objetivo de obter informação para trabalhos académicos. Não posso dizer que não seja um estilo que me agrade. Gosto, mas não é habitual ler obras deste tipo.

Carlo Maria Cipolla, nascido em 1922, foi um historiador ilustre, tendo lecionado em grandes universidades. Tal como poderão perceber através da leitura de Allegro Ma Non Troppo, seguido de As Leis Fundamentais da Estupidez Humana, Carlo Cipolla especializou-se na Idade Média, recebendo vários prémios.

Neste livro encontram-se dois ensaios. O primeiro intitula-se Allegro Ma Non Troppo, enquanto o segundo se chama As Leis Fundamentais da Estupidez Humana. 

Em Allegro Ma Non Troppo deparamo-nos com uma breve síntese da história da Idade Média e os acontecimentos que levaram ao início do Renascimento. Toda esta história envolve a necessidade e o comércio da pimenta, bem como outros bens e matérias primas da época.

Com um caráter humorístico, Cipolla consegue fazer-nos aprender algumas noções acerca desse tempo, divertindo-nos em diversas fases da leitura. 

A linguagem simples, apesar de cuidada, quase num tom coloquial, permite ao leitor desfrutar de uma leitura agradável e, ao mesmo tempo, conhecer um pouco da cultura europeia da idade média. 

Por vezes, perdi-me um pouco nos nomes das personagens históricas que iam sendo referidas ao longo da obra, principalmente porque havia muitos indivíduos com o mesmo nome.

O caráter cómico deste ensaio é, sem dúvida o mais interessante. O autor, consegue, através desse humor desmascarar alguns dos atos que levaram à queda de nações no tempo referido. É impressionante como a história se transforma em algo deveras interessante através das suas palavras.

Deixo-vos uma das passagens que mais me divertiu:

(após uma crise económica) 

"Os florentinos (...) largaram o comércio e a banca, e entregaram-se à cultura e à poesia. E assim teve início o renascimento (...)"

Fiquei um pouco surpreendida com a dicotomia entre os temas dos dois ensaios. O primeiro tem um caráter histórico, enquanto o segundo se debruça sobre a Estupidez Humana, mas suponho que sejam dois ensaios completamente distintos que foram editados no mesmo livro.

Em As Leis Fundamentais da Estupidez Humana, encontramos, como o título indica, algumas leis fundamentais sobre a estupidez. No entanto, esta não é a estupidez a que estamos habituados. Trata-se de uma versão real, mas à qual não estamos familiarizados.

Estúpido é aquele que faz mal aos outros sem que isso lhe traga alguma vantagem. Nesta obra somos alertados para os perigos de um estúpido, uma vez que ele pode fazer tudo para nos prejudicar e nós nunca vamos estar à espera.

Através de uma linguagem simples, ilustrada com gráficos é-nos explicado uma espécie de modelo matemático que nos permite identificar um estúpido, um ingénuo, um bandido e um inteligente.

Além disso, esta obra deixou-me a compreender melhor o funcionamento das sociedades, em que o número de pessoas estúpidas permanece constante em cada setor. Voltando ao caráter cómico, deixo-vos uma das leis que me foi apresentada neste livro e que, sem dúvida, me divertiu pela sua veracidade e pelo ridículo da coisa:

"Sempre e inevitavelmente, cada um de nós subestima o número de indivíduos estúpidos em circulação."
Assim, posso dizer que esta leitura me surpreendeu pela positiva e me fez perceber que talvez devesse dar mais oportunidades a obras como estas, uma vez que não me têm desiludido.