quinta-feira, 25 de maio de 2017

terça-feira, 23 de maio de 2017

Um

Uma nova vida...


Tânia Gama, a autora de Um e da sua continuação, recentemente publicada, Dois, nasceu em 1996, tendo apenas 21 anos. É de louvar que alguém tão novo já tenha dois livros publicados em Portugal, não é algo que se veja todos os dias.

Gostaria de agradecer à Chiado Editora por me terem cedido um exemplar de Um, de Tânia Gama, de forma tão gentil. 



Em Um encontramos uma história aparentemente parecida a muitas outras e, ao mesmo tempo, irreverente e nunca antes vista. Talvez comece com algo que já estamos habituados a ver, mas o desenrolar dos acontecimentos surpreende pela dimensão inesperada que toma ao longo do livro.

Aphrodite era uma rapariga comum. Bem, comum talvez não seja a forma certa de a descrever. Tinha memória fotográfica e era muito inteligente, ao contrário do seu irmão gémeo, Apollo. 

Um dia, ao sair de casa é confrontada com uma figura desconhecida, um homem tatuado que afirma esperar mais de alguém tão importante. A jovem não percebe o que é que ele quer dizer com tais palavras, pelo menos, não naquele momento.

Ao acordar, é-lhe dito que é uma renascida, um vampiro recém-criado. É Gabriel quem lhe dá a notícia. Este rapaz está encarregue de a treinar na sua adaptação ao mundo dos vampiros.

Tendo uma aprendizagem extremamente rápida, Aphrodite percebe que o ataque que sofreu não era suposto transformá-la, mas sim matá-la. Isto, devido a um segredo escondido algures no seu passado.

Agora, esta rapariga vê-se dividida entre o seu novo mundo, a que sente pertencer, e a sua família, o mundo onde sempre se sentiu deslocada.

Devo frisar que gostei imenso do título desta obra, é incrível como algo tão simples pode chamar tanto a atenção. Talvez por isso mesmo, por ser muito simples, nos deixe a pensar sobre o que poderá estar escondido atrás da simplicidade.

A história não me convenceu nas primeiras páginas, pensei mesmo que se tratava de um cliché dos mais comuns que se pode encontrar, no entanto, houve uma reviravolta enorme, a ação tomou um rumo nunca antes visto, deixando-me com imensa vontade de ler o próximo volume.

Achei que as personagens precisavam de ser melhor trabalhadas. Apenas temos acesso ao pensamento de Aphrodite, a personagem principal, no entanto, a sua personalidade não foi tão aprofundada quanto eu esperava. 

Quanto ao diálogo, este é abundante, dando um caráter leve à obra. Penso que, mais uma vez, poderia ser melhor trabalhado. Faltam aquelas informações acerca da postura das personagens, os tons de voz... Aqueles sinais que transformam uma ideia numa personagem viva e animada de sentimentos.

Por vezes, essas mesmas personagens, pela falta de expressão, tornam-se um pouco plásticas, inanimadas... Como se as personagens estivessem constantemente a falar ao telemóvel com o leitor, de maneira que ele tenha apenas acesso às suas falas e não à forma como se expressam e como se sentem.

O pior aspeto neste livro é, sem dúvida, a falta de revisão. Encontramos erros de toda a espécie, desde ortográficos a sintáticos. O tipo de escrita não me agradou, sendo apenas compensado pelo conteúdo da história. Inúmeras repetições de palavras na mesma frase tornavam, por vezes, a sua leitura difícil. 

Isto é, realmente, algo que me incomodou imenso ao ler o livro, não se tratavam apenas de gralhas, pois essas acontecem a todos, mesmos aos melhores, tratavam-se de erros graves, na minha opinião. Acontecia que, na mesma página, uma palavra aparecia escrita de duas formas. Parece algo derivado de falta de cuidado ou atenção e não necessariamente de incorreção linguistica, o que é uma pena, uma vez que a revisão de alguns aspetos causaria um incremento enorme na qualidade da obra.

Assim, espero que o segundo volume esteja um pouco melhor nessa vertente, já que a história promete surpreender pela positiva!

Citação do Dia - 23/05/17

"O trabalho só assusta as almas fracas."


Luís XIV

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Citação do Dia - 22/05/17

"Ama o próximo como a ti mesmo. É um grande risco. Eu, por exemplo, detesto-me."


Vergílio Ferreira

domingo, 21 de maio de 2017

Os Diários Secretos

Uma dimensão completamente diferente...



Os Diários Secretos é o quinto livro da coleção “Fjällbacka series”, de Camilla Läckberg. Tal como os volumes anteriores, trata-se de um romance policial.




Se ainda não conhecem esta série, poderão ler as minhas opiniões dos livros anteriores em:


Após Erica Falk encontrar, nas coisas de Elsy, a sua falecida mãe, objetos que remontam à Segunda Guerra Mundial, incluindo uma medalha nazi, uma camisola de criança ensanguentada e diários dessa época, esta deseja descobrir mais acerca da sua mãe. Principalmente, Erica pretendia conhecer as razões que tornaram Elsy numa pessoa fria e desprovida de afeto.

Ao mesmo tempo, acompanhamos a investigação do homicídio de Erik, um homem idoso com um fascínio terrível pelos acontecimentos da Segunda Guerra Mundial. Este homem era irmão de um herói, Axel, que esteve preso por lutar contra o Nazismo.

Patrick Hedström, marido de Erica e polícia na esquadra de Tanunshede, está em licença de paternidade, no entanto, não consegue dar conta do recado e não resiste em ajudar na investigação.

Parecem muitas coincidências: os diários da mãe de Erica, o fascínio de Erik pelo Nazismo, um movimento extremista mesmo no centro de Fjällbacka... Serão capazes de ligar todas as peças e descobrir, não só o homicida, mas também desvendar o passado de Elsy e desenterrar segredos bem guardados?

Este livro é bem diferente dos outros da mesma série. Quer no que toca ao desenrolar da ação, mas também ao tipo de escrita. Foca-se mais na vida das personagens e no seu passado.

Algo que apreciei neste volume foi o facto de aquele traço típico que a autora tem de nos dar a entender que as personagens desvendaram um segredo sem percebermos qual não é tão acentuado. Claro que acontece, mas é uma questão de linhas ou poucas páginas para compreendermos a descoberta.

Adorei a forma como Bertil Mellberg, o preguiçoso superintendente da esquadra de Tanumshede, foi trabalhado nesta obra. Deixamos de ver a sua face carrancuda e rude e passamos a observar um ser humano capaz de empatia, compreensão, amor e amizade. Esta faceta foi revelada com a ajuda de Annika, a secretária da esquadra, que lhe arranjou um cão. Contra todas as espetativas Mellberg acolheu o animal.

Acho surpreendente a quantidade de personagens e histórias que Camilla Läckberg consegue interligar. Penso que se compara a um daqueles quadros, que aparecem nas séries e filmes, onde se ligam pistas por fios, geralmente vermelhos. Consigo imaginar um quadro repleto de fotografias de jovens e das suas respetivas caras idosas, de pessoas que morreram, de provas encontradas, etc...

Este é, sem dúvida, o meu livro preferido da coleção. Talvez porque a autora nos foi preparando para as revelações que lá se encontram. Ao longo dos primeiros volumes são-nos apresentadas as personagens e vamos tendo vislumbres breves dos seus passados. Deixou-me sempre desejosa de saber mais acerca de Erica e da sua família, desde o passado da sua mãe até à vida de Anna, a sua irmã, que passou por momentos difíceis.

Já tenho o volume seguinte, A sombra da Sereia, mas penso que vou esperar um pouco para o ler e assimilar as ideias. Tanta coisa foi revelada...

Citação do Dia - 21/05/17

"Fala se tens palavras mais fortes do que o silêncio."


Eurípedes

sábado, 20 de maio de 2017

Citação do Dia - 20/05/17

"O único valor que considero revolucionário é a bondade, que é o único que conta."


José Saramago

sexta-feira, 19 de maio de 2017

A Filha Estrangeira

Dá que pensar... 


A Filha Estrangeira, um livro de Najat El Hachmi, foi-me gentilmente cedido para opinião pela Bertrand Editora e, por isso, agradeço o gesto e a oportunidade de ler esta obra e dar o meu parecer. 

Penso que, conhecendo a autora e as suas origens, poderemos entender melhor de que trata o livro. Najat El Hachmi mudou-se, aos oito anos, com a família para a Catalunha, sendo oriunda de Marrocos. Estudou literatura na Universidade de Barcelona e, atualmente, tem títulos publicados e traduzidos em várias línguas. 



Em A Filha Estrangeira acompanhamos o percurso de vida de uma jovem marroquina que, desde cedo, viveu na Catalunha, longe do seu país de origem. A sua única família nesse lugar era a sua mãe, uma mulher tipicamente marroquina, que, apesar da distância, seguia as tradições à risca. 

Esta rapariga quase que se considerava estrangeira. Como é óbvio, é estrangeira na Catalunha, mas também se sentia assim relativamente ao país que a viu nascer, ao país da sua mãe. Isto, em parte, porque os pensamentos já quase não lhe apareciam na "língua da sua mãe", que era como ela se referia ao seu dialeto de origem. Pensava que estava a trair a sua mãe ao pensar dessa forma, ao distanciar-se, assim, de uma língua que lhe dizia tanto. 

Apesar de tudo, sentia-se sortuda e, de certa forma, livre, uma vez que pôde escolher o seu noivo. Não iria casar por amor, mas regressaria ao país, que agora era apenas o de sua mãe, para casar com o seu primo Driss. A sua família deu-lhe a opção de aceitar, ou não a mão desse seu primo em casamento. Ela, pensando que mais valia casar com alguém que conhecia desde sempre ao invés de um desconhecido, aceitou. 

Agora, a jovem e a sua mãe veem-se numa azáfama terrível: vão continuar emigradas, é Driss quem se mudará. Por essa razão, teriam de preparar o casamento, todos os documentos necessários, arranjar uma casa onde coubessem todos e, acima de tudo, trabalhar para poderem sustentar esse "primo-marido". 

Este livro revelou uma autenticidade fora do comum. Toda a obra se desenrola numa introspeção dessa rapariga. Nunca conhecemos o seu nome, o que me fascina ainda mais. 

A autora foi capaz de criar uma personagem tão genuína, tão real que nem precisa de nome. Fiquei, assim, com a sensação que esta rapariga podia ser qualquer uma. Poderia não existir, mas poderia, também, ser um espelho de milhares de raparigas em todo o mundo. Penso que a última hipótese assenta melhor. 

Ela não é ninguém, não tem nome, e, mesmo assim, a história cativa com a profundidade dos seus sentimentos. Não temos a visão de mais ninguém, vimos o mundo apenas pelos seus olhos. Chocam a maneira como pensa e a maneira como deveria pensar, a sua alegada liberdade em relação à verdadeira liberdade que os "não estrangeiros" usufruem. Este é um livro que denuncia a desigualdade aos olhos de quem a sofre e percebe que a sofre. 

A jovem não é ingénua. Sabe muito bem que poderia fugir e viver uma vida verdadeiramente feliz. Aliás, tenta fazê-lo, mas, pensando na sua mãe, deixa esse sonho para trás e regressa a casa e ao futuro que lhe está destinado. 

Nesta leitura convivemos com o amor incondicional de uma filha pela mãe. Esta rapariga sofre, abdica da sua vida para poder fazer a mãe feliz. A mãe que lhe deu a vida, a mãe que emigrou e lhe permitiu receber uma educação. A mãe analfabeta e triste... 

Revoltou-me a forma como a personagem é tão altruísta ao ponto de desistir de tudo o que a poderia fazer feliz para satisfazer os desejos da sua mãe. Uma mãe que, apesar de lhe ter dado muito, pediu ainda mais em troca. A rapariga desfez-se da única coisa que lhe era importante: a sua individualidade, a sua dignidade. 

Com uma linguagem simples, este livro é de leitura agradável, apesar de lenta. As páginas levam tempo a ler devido à pormenorização do ambiente e dos sentimentos da personagem: conseguimos visionar o seu mundo, dar cara a todas as personagens, imaginar cada local. Assim, é um livro cheio de imagem e cor, uma obra bonita e triste, repleta de dor e sofrimento e, também, coragem e cobardia. 

Sem dúvida, uma obra que marca pela sua autenticidade e pela verdade marcada nas suas páginas. Um livro para qualquer um que goste de histórias com valor. Uma reflexão intensa sobre os direitos que, supostamente, são de todos nós e que, mesmo assim, nem todos os recebem.

Citação do Dia - 19/05/17

"Se não quiseres ver tolos, deves primeiro quebrar o teu espelho."


François Rabelais

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Resultado - Passatempo "Amor às Claras"

Parabéns!


Muito obrigada a todos os que participaram no passatempo. Aos que não ganharam peço que não desanimem pois, em breve, mais sorteios virão, basta ficarem atentos!

Neste passatempo estava em causa um exemplar do livro Amor Às Claras, de Laura Kaye. Podem ler a minha opinião acerca deste livro aqui.




O vencedor foi escolhido através da plataforma virtual Random.org e lá foram inseridos os participantes que cumpriram todas as regras do passatempo. 

Sem mais demoras... O vencedor, ou neste caso, a vencedora é Maria (...) Costa. Muitos Parabéns, deverá receber um e-mail nos próximos dias para confirmação da morada de envio.

Como disse, dentro de pouco tempo, mais surpresas virão!

Citação do Dia - 18/05/17

"É preferível não ter amigos do que os ter mais nocivos que inimigos."

William Shakespeare

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Amor às Claras

A partir de hoje nas livrarias!


Caros leitores, aqui está a tão esperada continuação de Corações na Escuridão de Laura Kaye: Amor às Claras.

Não se esqueçam que, até ao fim do dia de hoje estão a tempo de participar no passatempo aqui no blogue e habilitar-se a ganhar um exemplar deste novo romance de Laura Kaye!

-----> Passatempo <-----



Em Corações na Escuridão deixámos Caden Grayson e Makenna James nos braços um do outro após quatro horas fechados num elevador escuro.

Agora, em Amor às Claras, reencontramos estas personagens num namoro de dois meses. Parece pouco tempo mas, apesar de não o dizerem, estão absolutamente apaixonados. Podem não o verbalizar, mas as suas ações e os seus pensamentos demonstram essa enorme paixão.

Chegada a Ação de Graças, este casal viaja até à terra natal de Makenna para passarem o feriado com a sua família. Primeiramente, Caden pensava que ela ia sozinha, mas Makenna nem pensou duas vezes, o seu namorado iria acompanhá-la. Ele não tinha família e, por isso, ela queria integrá-lo na felicidade do ambiente onde cresceu.

Caden luta para ganhar a coragem necessária. Não é bom com relacionamentos, o seu aspeto duro, com piercings e tatuagens, costuma afastar as pessoas e ele não se importa que isso aconteça.

Já na casa onde Makenna cresceu, o casal depara-se com o seu ex-namorado e ex-noivo. Cameron era um homem atraente e inteligente. Caden não compreende como é que Makenna conseguira passar de um homem como aquele para um homem como ele próprio, magoado e danificado pelos azares da vida. Nesse momento começa a derradeira desconfiança na sua capacidade de a fazer feliz.

Apesar de quase toda a familia ter recebido bem o casal, Ian, o irmão do meio e o melhor amigo de Cameron, insiste para que este tente recuperar o amor da sua irmã. Cameron investe numa proposta a Makenna, deixando Caden com os nervos à flor da pele.

Amor às Claras prometia e cumpriu. Este livro não ficou aquém das minhas espetativas. Poderíamos pensar que, após o termino do encontro no elevador, a história deste casal se tornaria desinteressante, mas confesso que isso não aconteceu.

Com uma linguagem simples, clara e familiar, onde abunda o diálogo, Laura Kaye conseguiu cativar-me do inicio ao fim. Li o livro numa tarde e tenho pena de não ter aproveitado melhor.

Adorei o facto de, nesta obra, a autora se focar de igual forma na paixão de Caden e Makenna e na história que os rodeia. Deixamos de ter apenas aquela dimensão privada e passamos a ter acesso, a conhecer as suas interações com o mundo exterior: os amigos de Caden e a família de Makenna.

Gostei da forma como foi descrita a ocupação dos paramédicos: salvar vidas, são a primeira linha de ajuda num momento de aflição. Caden, quando confrontado com a questão de seguir um curso de medicina nega essa intenção, afirmando que está no lugar onde sempre desejou estar.

Este livro, entre outras dimensões, é uma história de cura, superação e procura de paz. Caden sempre foi assombrado pelo passado, será que o conseguirá superar?

Apesar do final desta obra, desejava que existisse uma continuação. Não posso revelar o porquê, mas se lerem o livro compreenderão.

Por fim, quero agradecer à editora O Castor de Papel/4 Estações por me terem cedido um exemplar desta obra para opinião.

Citação do Dia - 17/05/17

"O escritor tem uma incapacidade congénita para contar a verdade e é por isso que escreve ficção."


William Faulkner

Convite - O Castor de Papel


terça-feira, 16 de maio de 2017

Citação do Dia - 16/05/17

"O homem prudente aproveita a sua experiência; o homem sábio aproveita a experiência dos outros."


John Collins

segunda-feira, 15 de maio de 2017

The Secret Circle - The Captive Part I

Melhor que o primeiro...



The Captive Part 1, como o nome indica, é a primeira parte do segundo volume da coleção The Secret Circle. Se não conhecem o primeiro volume, The Initiation, podem ler a minha opinião aqui.


Em The Initiation deu-se a iniciação de Cassie enquanto parte do Circulo Secreto, um clã de bruxas muito antigo, que, agora, é constituido apenas por adolescentes. Este livro acabou com a descoberta de um talismã mágico e a libertação de um poder maligno, que o Circulo Secreto desconhecia.

Cassie vê-se no meio de uma guerra: Diana e Faye aspiram ao governo do Circulo Secreto. Faye tem poder sobre Cassie mas Diana tem a sua amizade e estima. Qual lado escolherá? Será capaz de trair a sua melhor amiga para a proteger?

Envolvida num drama colossal, esta rapariga tem de lutar no mundo cruel da adolescência, bem como no mundo oculto das sombras e magia. Cassie tem de descobrir quem tem morto adolescentes na cidade e, ao mesmo tempo, tentar parar o poder libertado pelo talismã.

Não vos posso dizer mais que isto, uma vez que, por ser apenas a primeira parte do livro, a história é curta e, se vos contar muito, perde a piada, não? Mas posso dar-vos a minha opinião.

Gostei muito mais deste volume do que do primeiro. Talvez por já não se tratar de uma apresentação de personagens, mas de um enredo completo e aliciante. A ação não é tão monótona como em The Initiation, é mais cativante, mais "mexida".

A personagem que mais me intrigou foi Nick, um dos membros do Circulo Secreto, que aparenta não ser possuidor de sentimentos mas, apesar de não ter nenhuma peripécia importante no livro, dá a entender ser mais do que pensamos. A autora não se foca nele, mas dá sinais de que poderá vir a ser importante na história.

Outro ponto positivo foi o facto de algumas personagens, outrora retratadas como duras e implacáveis, demonstrarem uma bondade para com Cassie que esta não esperava. 

Quanto à linguagem, mantenho a opinião de que é difícil distinguir pensamentos de diálogo, mas penso que com o hábito se vai tornando mais fácil fazê-lo.

Mais uma vez, o livro terminou sem qualquer conclusão. Neste caso entendo, uma vez que se trata de um livro dividido em duas partes. No entanto já percebi que L J Smith adotou esse método de escrita para cativar os leitores a continuarem a ler as suas obras.

Não é a minha coleção preferida desta autora, mas tenho esperança de gostar mais dos próximos volumes. Estou à espera de revelações acerca do passado que nos façam compreender o presente!

Citação do Dia - 15/05/17

"Existem mais pessoas que desistem do que pessoas que fracassam."


Henry Ford

domingo, 14 de maio de 2017

Citação do Dia - 14/05/17

"Sendo tão natural ao homem o desejo de ver, o apetite de ser visto é muito maior."


António Vieira

sábado, 13 de maio de 2017

Allegro Ma Non Troppo, seguido de As Leis Fundamentais da Estupidez Humana - Um Tiro no Escuro!

De volta ao desconhecido...

Em primeiro lugar, quero agradecer à editora Texto e Grafia pela gentileza de me cederem um exemplar de Allegro Ma Non Troppo, seguido de As Leis Fundamentais da Estupidez Humana, de Carlo M. Cipolla.

Tenho de confessar que este não é o género de literatura a que estou acostumada. Já li vários livros do mesmo género, mas principalmente com o objetivo de obter informação para trabalhos académicos. Não posso dizer que não seja um estilo que me agrade. Gosto, mas não é habitual ler obras deste tipo.

Carlo Maria Cipolla, nascido em 1922, foi um historiador ilustre, tendo lecionado em grandes universidades. Tal como poderão perceber através da leitura de Allegro Ma Non Troppo, seguido de As Leis Fundamentais da Estupidez Humana, Carlo Cipolla especializou-se na Idade Média, recebendo vários prémios.

Neste livro encontram-se dois ensaios. O primeiro intitula-se Allegro Ma Non Troppo, enquanto o segundo se chama As Leis Fundamentais da Estupidez Humana. 

Em Allegro Ma Non Troppo deparamo-nos com uma breve síntese da história da Idade Média e os acontecimentos que levaram ao início do Renascimento. Toda esta história envolve a necessidade e o comércio da pimenta, bem como outros bens e matérias primas da época.

Com um caráter humorístico, Cipolla consegue fazer-nos aprender algumas noções acerca desse tempo, divertindo-nos em diversas fases da leitura. 

A linguagem simples, apesar de cuidada, quase num tom coloquial, permite ao leitor desfrutar de uma leitura agradável e, ao mesmo tempo, conhecer um pouco da cultura europeia da idade média. 

Por vezes, perdi-me um pouco nos nomes das personagens históricas que iam sendo referidas ao longo da obra, principalmente porque havia muitos indivíduos com o mesmo nome.

O caráter cómico deste ensaio é, sem dúvida o mais interessante. O autor, consegue, através desse humor desmascarar alguns dos atos que levaram à queda de nações no tempo referido. É impressionante como a história se transforma em algo deveras interessante através das suas palavras.

Deixo-vos uma das passagens que mais me divertiu:

(após uma crise económica) 

"Os florentinos (...) largaram o comércio e a banca, e entregaram-se à cultura e à poesia. E assim teve início o renascimento (...)"

Fiquei um pouco surpreendida com a dicotomia entre os temas dos dois ensaios. O primeiro tem um caráter histórico, enquanto o segundo se debruça sobre a Estupidez Humana, mas suponho que sejam dois ensaios completamente distintos que foram editados no mesmo livro.

Em As Leis Fundamentais da Estupidez Humana, encontramos, como o título indica, algumas leis fundamentais sobre a estupidez. No entanto, esta não é a estupidez a que estamos habituados. Trata-se de uma versão real, mas à qual não estamos familiarizados.

Estúpido é aquele que faz mal aos outros sem que isso lhe traga alguma vantagem. Nesta obra somos alertados para os perigos de um estúpido, uma vez que ele pode fazer tudo para nos prejudicar e nós nunca vamos estar à espera.

Através de uma linguagem simples, ilustrada com gráficos é-nos explicado uma espécie de modelo matemático que nos permite identificar um estúpido, um ingénuo, um bandido e um inteligente.

Além disso, esta obra deixou-me a compreender melhor o funcionamento das sociedades, em que o número de pessoas estúpidas permanece constante em cada setor. Voltando ao caráter cómico, deixo-vos uma das leis que me foi apresentada neste livro e que, sem dúvida, me divertiu pela sua veracidade e pelo ridículo da coisa:

"Sempre e inevitavelmente, cada um de nós subestima o número de indivíduos estúpidos em circulação."
Assim, posso dizer que esta leitura me surpreendeu pela positiva e me fez perceber que talvez devesse dar mais oportunidades a obras como estas, uma vez que não me têm desiludido. 

Citação do Dia - 13/05/17

"Condenamos por ignorantes as gerações passadas, e a mesma sentença nos espera nas gerações futuras."


Marquês de Maricá

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Citação do Dia - 12/05/17

"Quando as pessoas têm liberdade para fazer o que querem, começam, em geral, a imitar-se mutuamente."


Françoise Sagan

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Corações na Escuridão

Um elevador e muitas histórias...


Como prometido, aqui está a minha opinião de Corações na Escuridão, de Laura Kaye! Não, este livro não é novo, mas, recentemente, foi lançada a sua continuação, Amor às Claras, pela Editora O Castor de Papel/4 Estações.



Esta editora teve a gentileza de me oferecer, para crítica aqui no blogue um exemplar de cada um dos volumes. Assim, posso dar a minha opinião integral e honesta acerca de ambos.



Laura Kaye já escreveu inúmeros romances de ficção contemporânea, sendo uma presença regular nos bestsellers do New York Times e do USA Today. Tenho de confessar que não conhecia a autora, mas não me arrependi de o fazer!

Em Corações na escuridão encontramos Makenna James, uma jovem que trabalha como contabilista forense e, naquele dia, nada lhe tinha corrido bem. Normalmente acha o seu trabalho interessante, mas com tantos contratempos, desde ficar sem bateria no computador até deixar cair o telemóvel em frente ao elevador que um bom samaritano segurava com a mão tatuada para que ela pudesse entrar, só desejava chegar a casa e beber um bom copo de vinho.

Nesse dia nada parecia poder piorar, mas o improvável aconteceu. A eletricidade falhou e o elevador em que se encontrava com esse homem da mão tatuada parou e imergiu numa imensa escuridão. 

Caden Grayson, o bom samaritano, era claustrofóbico, sofria com o escuro daquele pequeno espaço a que estava confinado com uma ruiva que não conhecia. Já tinha superado o medo de espaços fechados, daí se encontrar num elevador, mas nunca poderia ultrapassar o medo da escuridão e do desconhecido. Apesar da sua aparência robusta, com tatuagens e piercings, naquele momento sentia-se vulnerável.

Só lhe restava uma opção: conversar com a ruiva, que mais tarde viria a descobrir que se chamava Makenna, e esperar que o desespero não o atingisse naquele elevador.

Encontraram, um no outro, um conforto inesperado. Naquele lugar escuro, apenas se podiam apoiar um no outro. No entanto, nunca se tinham visto, a entrada de Makenna no elevador foi tão abrupta devido à queda do telemóvel, que não olhou o bom samaritano nos olhos. Será que esse conforto e confiança conseguiriam sobreviver ao acender das luzes? Seria Makenna capaz de assimilar os piercings na cara e as tatuagens de Caden? 

Devo dizer que esta leitura me surpreendeu pela fluidez das palavras. O livro lê-se extremamente rápido, uma vez que ficamos completamente cativados. É impossível não querer saber o que acontece naquele elevador.

Achei que a personagem de Makenna podia estar um pouco melhor trabalhada, sabemos algumas coisas acerca da sua infância e da sua família, mas senti que faltava algo. 

Caden, por seu lado, é quase transparente para o leitor, conseguimos ver a sua personalidade, as suas feridas, as suas batalhas e as suas vitórias. É um homem enigmático e cativante, apesar de magoado, tentando sempre escudar-se nas tatuagens e nos piercings como forma de canalizar a sua dor emocional para o seu corpo, de a transformar em dor física.

Naquele elevador, a empatia por um estranho é notável. Makenna dá metade da comida que transportava na sua mala a Caden, bem como a sua única garrafa de água. Adorei que Lauren Kaye tenha imaginado personagens de boa índole, capazes de partilhar os seus bens com estranhos, mesmo sem saber quanto tempo ficariam confinados naquele elevador. 

Depois dessa partilha de alimentos, a simpatia reinou naquele elevador, foram-se conhecendo melhor e, dessa partilha de histórias e sentimentos nasceu algo que nenhum deles esperava, um afeto mútuo.

Algo que me surpreendeu imenso neste livro foi o facto de a ação se desenrolar em apenas algumas horas, não chegando a um dia completo. O elevador fecha-se ao final do dia e só são "resgatados" já a noite ia avançada. Não sei se gostei dessa abordagem por uma simples razão, gostaria de ter visto mais das personagens, mais partilha... Mas com o segundo volume aí à porta, estou desejosa de continuar a ler a história de Makenna e Caden.

"Amor às Claras" - Sneak Peek



-------> Passatempo <-------

Citação do Dia - 11/05/17

"A sorte é um acaso, a felicidade uma vocação."


Alexandru Vlahuta

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Citação do Dia - 10/05/17

"Prometemos conforme as nossas esperanças e cumprimos segundo os nossos receios."


François La Rochefoucauld

terça-feira, 9 de maio de 2017

Os Instrumentos Mortais - Cidade dos Ossos

Um mundo repleto de magia ...

Hoje venho falar-vos de um livro que inspirou não apenas um filme, mas também uma série. Os instrumentos mortais - Cidade dos Ossos, de Cassandra Clare, serviu de base para a criação de um filme homónimo e da série Shadowhunters.



Cassandra Clare é autora de vários livros, incluindo toda a coleção de Os Instrumentos Mortais, cujo primeiro volume é Cidade dos Ossos.

Neste livro acompanhamos Clarissa - Clary - Fray, uma rapariga absolutamente normal, cuja vida leva uma volta tremenda quando descobre conseguir ver coisas que as outras pessoas não vêem.


Numa noite, Clary e Simon, o seu melhor amigo, vão até uma discoteca onde Clary vê um grupo de três adolescentes matar outro. O corpo desaparece e, com ele, a fé de Clary na sua sanidade mental.


A mãe de Clary é raptada e esta atacada ao regressar a casa. Mal sabia Clary o que a esperava: demónios, vampiros, criaturas mágicas e caçadores: os ShadowHunters.


Jace, um shadowhunter nato, salva Clary e mostra-lhe o fantástico mundo das sombras (Shadow world). Agora, esta rapariga tem uma missão: recuperar a sua mãe e vencer as forças que a raptaram. 



"A cidade dos Ossos" é um livro repleto de magia, aventura, coragem, companheirismo e traição. Podemos ver o mal, bem como a bondade, onde menos esperamos.


Cassandra Clare consegue, através das suas palavras, transportar-nos para Nova Iorque, onde a ação decorre.  Esta autora apresenta-nos um mundo cheio de criaturas mágicas, algumas das quais nunca tinha ouvido falar.



A personagem que mais me cativou foi Jace. Este rapaz é como uma tartaruga, com uma carapaça fria e insensível, mas um coração mole por dentro. Adorei as suas intervenções quase sempre sarcásticas ou arrogantes, que funcionavam como um escudo para a sua personalidade meiga e que concediam ao livro uma dimensão cómica que me divertiu imenso.





Relativamente ao tipo de escrita, apesar de o meu exemplar ser em inglês e de me ter custado um pouco a habituar ao estilo de Cassandra Clare, penso que é de leitura fácil. Cada capítulo é mais cativante que o anterior.



Assim, posso dizer que estou ansiosa por pôr as mãos no segundo volume desta coleção, City of Ashes!



"Amor às Claras" - Divulgação

Caros leitores, não se esqueçam que, até dia 17 do presente mês, poderão ganhar um exemplar do mais recente livro de Laura Kaye, Amor às Claras, a tão esperada continuação de Corações na escuridão!

-------> Passatempo <-------

Citação do Dia - 09/05/17

"A história é o incalculável impacto das circunstâncias sobre as utopias e os sonhos."


Mariano Salas

Citação do Dia - 09/05/17

"A história é o incalculável impacto das circunstâncias sobre as utopias e os sonhos."


Mariano Salas

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Passatempo - Parceria Chiado Editora

Mais um mimo!


Caros leitores, o blogue The Book Chimera estabeleceu parceria com uma das mais conhecidas editoras portuguesas: Chiado Editora.

Para começar esta parceria, trago-vos novidades e um passatempo. Em breve partilharei a opinião de um livro intitulado "Um", de Tânia Gama, gentileza da Chiado. Deixo-vos a sinopse e a capa, mas fiquem atentos, não deve demorar muito!



"Imagina-te a viver num mundo em que tens de coabitar com vampiros. Essa é a realidade de Aphrodite, uma rapariga de dezoito anos que leva uma vida completamente normal e como a de qualquer outro adolescente até que, um dia, acidentalmente, é transformada em vampira e tudo muda. Para além de ser retirada da sua família, que pensa que ela morreu, Aphrodite é obrigada a deixar tudo para trás e começar de novo. Porém, a sua história é mais complicada do que ela inicialmente pensou e o que começou por ser um acidente, pode ser a salvação de toda a humanidade. Uma história sobre coragem e determinação onde nada do que parece e onde ninguém está a salvo do mal."
Agora, o passatempo:

A partir de hoje, e até dia 31 de maio, poderão ganhar um exemplar de "Ameaça de um Anjo", também gentilmente cedido pela Chiado. 



Para participarem apenas têm de realizar os seguintes passos:

  • Preencher o seguinte formulário:

Este passatempo estará aberto até dia 31 de maio de 2017, sendo apenas permitida uma participação por pessoa. Só poderão participar pessoas residentes em Portugal. 

Devo frisar que o blogue e a Chiado Editora não se responsabilizam pelo possível extravio do prémio na transportadora. Apenas serão sujeitos ao sorteio os participantes que cumprirem todas as regras.

O sorteio será aleatório, utilizando a plataforma Random.org e o vencedor será contactado por e-mail para a confirmação da morada de envio do prémio.

Espero que gostem e boa sorte!


Citação do Dia - 08/05/17

"Em tempos normais, nenhum indivíduo são pode concordar com a ideia de que os homens são iguais."


Aldous Huxley

sábado, 6 de maio de 2017

Viajante à Luz da Lua

Às voltas por Itália...


Em primeiro lugar, quero agradecer à editora Guerra e Paz pelo gentil envio de um exemplar do livro Viajante à Luz da Lua, de Antal Szerb, para crítica e divulgação aqui no blogue.


Antal Szerb foi um escritor húngaro nascido no início do século XX, em 1901. Desde cedo apresentou interesse e talento para as letras, tendo, rapidamente, progredindo na carreira de escritor, tradutor e historiador de literatura. Era, posso afirmar, uma mente brilhante: concluiu o doutoramento com apenas 23 anos.

Tenho pena de não poder dizer que ele tenha tido uma vida feliz... Apesar do seu sucesso, perdeu o cargo como professor na Universidade de Szeged devido a leis anti-semitas e, durante a Segunda Guerra Mundial, foi deportado para um campo de concentração, onde morreu em 1945, com apenas 44 anos. Mais um génio que se perdeu devido à maldade humana. Nem consigo imaginar que outras obras-primas poderia ter escrito se a sua vida não tivesse sido tão efémera.

Viajante à Luz da Lua, publicado em 1937, retrata  a história de Mihály, um homem proveniente de uma família burguesa de Budapeste. Este encontra-se, com a sua mulher, em Itália, em lua-de-mel. Parece ser o local perfeito para celebrar o seu casamento, até que os fantasmas do passado retornam para o assombrar.

Sentados numa esplanada, Mihály e Erzsi, a sua mulher, veem aproximar-se um homem intrigante, que acaba por se revelar como um desses fantasmas do passado. Chamava-se János Szepetneki, fazia parte do grupo de amigos da adolescência de Mihály e torna-se uma presença constante nesta obra.

É a partir desse momento que as coisas começam a descarrilar. O passado assombra Mihály de uma maneira notória, sugando-o para um "vórtice" de memórias e sensações aparentemente esquecidas. Tem de contar o seu passado a Erzsi, mas não parece ter coragem para contar tudo. Foi um adolescente com uma mente perturbada e, agora, não sabe como contar à sua mulher o porquê de tanto mistério.

Carregado com tantos segredos, culpa e medos, Mihály desce do comboio onde seguia com Erzsi afirmando que ia apenas tomar café. Podia estar convencido disso, mas, no fundo, penso que quereria um escape à vida de recém-casado. Apanha o comboio, no entanto, não encontra a sua mulher. Tinha-se atrasado e apanhou o comboio seguinte, não sabendo sequer qual o seu destino.

Começa, assim, a grande deambulação desta personagem pelas paisagens mais conhecidas e outras totalmente desconhecidas de Itália. O inicio de uma fase errante da sua vida, talvez um abrir de olhos, talvez não...


Penso que devo realçar a clareza e a objetividade da linguagem nesta obra. Szerb não deixa espaço para dúvidas e, mesmo com uma linguagem inequívoca, não perde a simplicidade. Este é, por isso, um livro fácil de ler e, ao mesmo tempo, recheado de sentimentos contraditórios.

Uma das facetas mais surpreendentes deste livro é a profundidade dada às personagens. São pessoas reais, mas também completamente abertas ao leitor, apesar de fechadas umas para as outras. Conseguimos entrar nas suas mentes, sentir o que sentem, ver o que veem...

Essas mesmas personagens são complexas, encontram-se num turbilhão de emoções e curiosidades. Cada uma com uma faceta diferente, conseguem fazer um todo, um indivíduo completo enquanto grupo. Não sei se me consigo expressar claramente... Apenas quem lê o livro consegue perceber o que vai dentro da cabeça destas "pessoazinhas" complicadas.


Por vezes, senti um pouco de estagnação. Principalmente quando após uma pausa retomava a leitura. Eram necessárias algumas páginas para que me sentisse outra vez embrenhada na leitura, mas, quando isso acontecia, parecia que nunca poderia parar de ler. Era realmente muito cativante.

Custou-me um pouco a perceber algumas atitudes de Mihály. Como, por exemplo, não avisar a mulher de que se tinha enganado no comboio e que estava bem. Senti alguma imaturidade na personagem que tinha, por vezes, atitudes infantis. Ele próprio reconhece que se manteve estagnado na adolescência e que cada pessoa para exatamente na melhor fase da sua vida.

Chocou-me, pela positiva, a capacidade do autor de criar uma teia de acontecimentos que ligam todas as personagens: as do passado e as do presente. Mesmo infinitamente afastados de Budapeste, as personagens cruzam-se de uma maneira extraordinária, sem nunca conceder um caráter forçado à ação.

Apesar de nunca aparecer, Tamás Ulpius é uma personagem central, talvez o motor que fez desenrolar esta história. Foi ele que, em primeiro lugar, juntou o "grupo" e que, no fim, o extinguiu. É, sem dúvida, a personagem que mais me intrigou, uma vez que é a menos compreendida. Temos acesso a todos os seus atos, mas não ao seu pensamento, à sua personalidade, às verdadeiras razões que o movem. Ainda hoje, após ter terminado o livro penso em Tamás e nos seus objetivos irreverentes.

Emfim, é, simplesmente, uma história de pôr os cabelos em pé, de tentar compreender as personagens e os seus devaneios. Uma paragem obrigatória a todos os amantes de romances trágico-cómicos, bem como ao público em geral. Uma leitura a não perder.