sábado, 17 de junho de 2017

A Herança Perdida

Um mar de vidas...


Olá! Hoje tenho para partilhar convosco um livro chamado A Herança Perdida, da autora Katie Agnew. Este livro foi-me gentilmente cedido pela Quinta Essência, uma chancela Leya, por essa razão, deixo um enorme obrigado à editora!


Em A Herança Perdida somos apresentados à vida de Sophia Beaumont-Brown, uma jovem rapariga, que já não é assim tão jovem, estando nos seus trinta anos, mas que se comporta como se ainda fosse adolescente. As presenças habituais em festas, discotecas e clubes noturnos de renome, deixaram-na praticamente sem nada. 

Os seus pais deserdaram-na devido ao seu problema comportamental e rebeldia, estando agora a viver numa casa quase em ruínas pertencente a um amigo de um amigo. Basicamente, a sua vida era apenas assegurada pelo pouco dinheiro que os pais de Hugo, o seu melhor amigo, ainda lhe davam e que este partilhava com Sophia.

Ao mesmo tempo, acompanhamos o divórcio de Dominic Mcguire, um realizador de documentários. Este, regressando de uma viagem de trabalho ao Perú chega a uma casa vazia. Não surpreendia, a sua (ex)mulher era capaz de tudo. Agora, já nem sabia o que tinha visto nela, lembrava-se do que o atraía nos primeiros tempos, mas não percebia como se apaixonou por alguém tão frio.

De novo à família Beaumont, Tilly, avó de Sophia e uma antiga estrela de Hollywood, encontra-se às portas da morte com um cancro nos ossos. O seu último desejo era reaver as pérolas que o seu pai lhe dera no dia do seu décimo oitavo aniversário, logo a seguir ao término da Segunda Guerra Mundial. 

Vai escrevendo cartas a Sophia, contando-lhe as suas memórias até ao momento em que o pai lhe deu essa gargantilha de pérolas. A anciã pretendia, além de se reaproximar da neta, convencê-la a iniciar uma busca pelo colar outrora perdido. Sophia e Hugo mergulham nessa missão de trazer à velha senhora a alegria de ver o seu mais preciso bem antes de morrer.

É-nos apresentada, ainda, a realidade das Amas, mergulhadoras japonesas de pérolas. Estas corajosas raparigas faziam-no sem qualquer equipamento, buscando as mais belas pérolas para vender e sustentar as suas famílias.

Acima de tudo, este é um livro sobre perseverança e vontade de viver. Ao princípio não entendemos como todas estas histórias se ligam, mas é isso que nos faz ficar desejosos de ler mais um pouco e compreender.

Impressionou-me a forma como a escritora descrevia todos os cenários que fomos encontrando ao longo da obra. É de uma verosimilhança incrível e, mesmo que, por vezes, sejamos confrontados com imagens fortes (da Segunda Guerra Mundial, por exemplo), a escrita não perde essa dimensão real. 

Não sei bem como descrever, mas achei esta obra extremamente terna, talvez pelo modo de escrita ou pelo próprio enredo... Somos compelidos a sentir uma enorme empatia pelas personagens, sonhando que estamos com elas e que as queremos ajudar, uma vez que são retratadas tantas situações em que ninguém vem ao seu auxílio.

Dito isto, neste livro, estão representados o melhor e o pior de um mundo. É desde o início, introduzida uma dicotomia entre o ambiente Beaumont e o das Amas, por exemplo, levando o leitor a perceber que, por detrás de todo aquele dinheiro, a alta sociedade pode não ser tão brava e destemida como as simples aldeãs de uma vila japonesa.

Aiko Watanabe, uma milionária mulher de oitenta anos, foi, sem dúvida a minha personagem preferida neste livro. Sofreu como ninguém e, apoiando-se nos antigos provérbios que a avó lhe costumava recitar, singrou na vida, atingindo a derradeira meta, a felicidade.

A Herança Perdida impressionou pela forma como histórias de tantas vidas acabaram entrelaçadas por causa de um simples colar de pérolas. Associado a esse acessório encontramos, como já disse, o melhor e o pior da sociedade: os gananciosos e a sua febre por dinheiro, os destemidos e a sua luta pela liberdade e os conformados trabalhadores de classe média-baixa. Mostrando que ninguém sobrevive sozinho e sem ajuda, vinda ela de onde vier, esta obra ficou guardada na minha memória pelas melhores razões!

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