segunda-feira, 3 de julho de 2017

13 Minutos

De tirar a respiração...


Natasha Howland - Tasha ou Tash - esteve morta durante treze minutos. Numa manhã, enquanto passeava o tolo do seu cão, Jamie - um professor de música - vê algo de estranho no rio, um corpo. Era uma rapariga ainda jovem, talvez adolescente. Estava fria, tinha os lábios azuis. Estava morta.



Durante treze minutos, os paramédicos tentaram reanimá-la. Conseguiram. Agora Natasha via o numero 13 em todo o lado: treze degraus, treze folhas na planta da sua psiquiatra, treze minutos...

Mas esta não é apenas a história de Tasha e da sua experiência de quase morte. Acompanhamos, paralelamente, Rebecca - Becca -, uma rapariga rebelde, mas mais próxima da normalidade do que Natasha. Outrora, estas duas jovens foram melhores amigas, no entanto, cresceram e afastaram-se. 

Agora, Natasha é a líder das Barbies, o grupo de raparigas mais populares da sua escola. Hayley e Jenny são as suas mais fieis seguidoras. Becca está no fundo da pirâmide social, juntamente com Hannah, a sua única amiga.

Depois do acidente, Tasha não se recorda do que aconteceu e sente a necessidade de se reaproximar de Becca para recordar o que aconteceu. Vamos acompanhando os seu pensamentos mais íntimos pelas páginas do seu diário.

As Barbies, Jenny e Hailey, parecem saber mais acerca do afogamento de Natasha do que aparentam. Trocam mensagens incriminatórias e desejam a morte à sua suposta amiga, que mais esconderão?

A maneira como este enredo se desenrola não é, de todo, comum. Não existe uma narrativa contínua, vamos sendo apresentados a diversos documentos e perspetivas, desde excertos do diário de Natasha, de consultas com a sua psiquiatra, de relatórios policiais até conversas de Jenny e Hayley por mensagem.A diversidade de textos que encontramos confere ao livro um caráter extremamente irreverente e inovador. 

Por vezes foi-me difícil sentir empatia por algumas das personagens, talvez por aparentarem ser tão desprezíveis. Por outro lado, este é um livro que deixa as emoções à flor da pele: sentimos raiva, pena e até ódio por certas atitudes e personagens

Becca foi a personagem que mais emoções despertou. Não a que mais odiei, nem a que mais gostei, aquela que mais sentimentos contraditórios causou. Por vezes é ingénua, outras perspicaz. No entanto, esta rapariga consegue ser deveras cruel, impingindo a mesma dor que sofreu à sua única amiga.

É incrível como a autora consegue descortinar a mente adolescente, por vezes levando ao exagero. No final conseguimos perceber esse exagero e compreendê-lo, mas até aí sentimos que falta algo, uma peça do puzzle. Por essa razão, este livro deixa-nos acordados à noite. Não por medo, mas por vontade de ler mais, de descobrir os segredos escondidos nas cabeças de adolescentes perversas e engenhosas.

Por fim, muito obrigado à Bertrand Editora pelo exemplar de 13 Minutos, de Sarah Pinborough, cuja leitura me deu tanto prazer!


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